Depois de 47 dias de luta contra complicações da covid-19, morreu, nesta sexta-feira (2/7), aos 66 anos, o advogado e professor de Direito Jorge Amaury Maia Nunes. Amaury chegou a receber duas doses de vacina contra o coronavírus, mas acabou contraindo a forma grave da infecção. Com complicações como pneumonia e infecções no pulmão, ele precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e passou pelo procedimento conhecido como Ecmo (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), o mesmo usado pelo ator Paulo Gustavo, mas acabou não resistindo ao tratamento.

Como era querido no meio jurídico, muitos amigos, colegas e ex-alunos pediam notícias do estado de saúde de Amaury à família durante o processo de internação e tratamento. Os familiares passaram, então, a atualizar o quadro de saúde do advogado pelas redes sociais. Ele deixa a mulher, Ana Laura Nunes, e três filhos. Amaury Nunes era natural de Belém (PA), onde se formou na Universidade Federal do Pará (UFPA). Na década de 1980, mudou-se com a família para a capital federal, depois de uma transferência do Banco Central, onde era servidor.

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Nunes era conhecido pela gosto pela leitura. “A biblioteca dele deve ter mais de 10 mil livros”, estima o amigo Ademar Cipriano, também advogado, que atuou no escritório de Nunes por mais de dez anos. “Ele gostava de livro, xadrez, comida boa. Ele próprio fazia um pato no tucupi, que é uma comida paraense, sensacional. Gostava de uma boa prosa, adorava contar histórias e bater papo”, recorda. Nos anos 1990, foi o primeiro colocado no concurso para professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Mais tarde, aposentado, ele não conseguiu ficar longe da cátedra e retornou ao campus como professor voluntário. Agora, a associação de ex-alunos prepara uma homenagem ao mestre. Amaury Nunes é lembrado pelos alunos pela relação próxima que mantinha com eles e o vasto conhecimento jurídico. “Tinha muito conhecimento, era muito inteligente, de uma memória incrível. Quando tirava dúvida, ele falava: ‘então abra o recurso tal, voto tal, na página tal, terceiro parágrafo. Era muito assertivo”, lembra o hoje advogado Ronald Barbosa, ex-aluno de Nunes.

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Pelas redes sociais, se multiplicam as mensagens de pesar pela partida do advogado. Outros colegas e autoridades também lembraram a memória do advogado. “Conhecimento jurídico como o dele pouco se vê por aí. Pouco mesmo. Profundo, variado e bem utilizado. Exemplo de comportamento ético inigualável, quem o conheceu se dispunha a ‘colocar a mão no fogo’ por ele. (…) Do lado cá fiquemos com o peito vazio, a alma chorosa e o coração lotado exclusivamente de magníficas lembranças, lições, piadas e gargalhadas…”, escreveu o ex-presidente da OAB-DF Juliano Costa Couto.

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“A advocacia do Distrito Federal perde um dos seus mais qualificados integrantes. Sua atuação como professor da UnB e da Escola Superior de Advocacia do DF (ESA/DF) marcou a formação de gerações de advogadas e advogados de Brasília. Estou certa de que seu conhecimento no Direito Processual Civil farão falta neste momento tão desafiador para o Direito, como o que vivemos”, escreveu a advogada Thais Riedel, que foi contemporânea de Amaury na direção da OAB-DF, em 2013. Antes, em 2007, ele foi conselheiro da Ordem. O secretário de Economia André Clemente também lamentou a morte de Nunes. “Era um dos mais respeitados juristas do País. Discreto, competente, daquelas pessoas fáceis de lidar. Um prazer ter convivido e aprendido com ele”, afirmou. O advogado Cláudio Lima acrescentou que essa foi “uma grande perda para advocacia. Um professor dedicado e respeitado. Como advogado inspirou muitos”. // Correio Braziliense.