Dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) repatriaram, na quarta-feira (25), 66 brasileiros que estavam sem conseguir voltar do Peru, após o fechamento de todos os aeroportos do país para evitar a propagação do coronavírus. Fora do Brasil desde o último dia 7, o baiano Péricles Júnior não teve a mesma sorte. Dois casos da COVID-19, além de outro paciente com suspeita da doença, foram confirmados no hostel em que ele está hospedado, em Cusco, o que o impossibilitou de voltar.

Péricles contou ao G1 nesta quinta-feira (26) que viajou de férias sozinho e tinha o retorno para o Brasil programado para o dia 20. Contudo, o fechamento dos aeroportos o obrigou a permanecer em Cusco. Ele tinha a expectativa de conseguir embarcar nos aviões da FAB, mas as aeronaves não possuíam a estrutura adequada para um isolamento. O baiano está no hostel Pariwuana com outros quatro brasileiros, que vivem a mesma situação. “Já informamos para a embaixada do Brasil e estamos aguardando a resposta deles. Ontem estavam aguardando a gente para voltar ao Brasil. Mas como eu e os outros quatro brasileiros somos do grupo suspeitos do coronavírus, não havia estrutura para levar a gente juntamente com outros brasileiros que estavam aqui em Cusco”.

Após a confirmação dos casos de coronavírus, as portas do hostel foram fechadas. Cartazes foram colados nas paredes para comunicar que as pessoas que deixarem o local não serão aceitas de volta. Existe ainda a ameaça de prisão para estrangeiros que estiverem em áreas públicas. As ruas ao redor do estabelecimento passam por lavagens periódicas com mangueira e um caminhão-pipa. Os hóspedes também seguem medidas sanitárias para minimizar o risco de contágio. “Desde ontem estamos usando máscara, temos o nosso kit de copo, prato e talheres. Depois que comemos, nós lavamos os nossos utensílios”. No grupo dos cinco brasileiros, dois apresentaram sintomas de um resfriado. Péricles conta que não está doente, mas sentiu dor de cabeça provocada pela fome e pela altitude. A comida no hostel foi racionada após o fechamento das portas.

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Médicos visitam hostel no Peru para examinar pacientes confirmados com a COVID-19 — Foto: Péricles de Oliveira Júnior / Arquivo Pessoal

“Não estou com gripe. Estava com dor de cabeça ontem por causa da fome. Almocei arroz, purê de batata e um pedaço de galinha cozida. Tudo em pouca quantidade. À noite foi meio copo de aveia e dois pães”. Apesar de estar impedido de sair, as diárias do hostel ainda são cobradas assim como a alimentação. As férias de Péricles vão até o dia 30 deste mês. No entanto, ele não sabe quando poderá voltar, já que as fronteiras do Peru estão fechadas. “Já informei isso para a embaixada, assim como pedi um documento para eu enviar ao trabalho informando que estou impedido de sair do Peru. (…) O gerente daqui informou que o ministério da Saúde do Peru disse que a quarentena pode se estender até três meses. (…) Até o momento não tivemos apoio financeiro e psicológico da embaixada assim como afirmaram”, contou Péricles. O G1 entrou em contato com o Itamaraty e aguarda posicionamento sobre a situação dos brasileiros. Um grupo de baianos que estava em Cusco e conseguiu embarcar nos aviões da FAB desembarca em Salvador na tarde desta quinta-feira. Eles estavam no Peru desde o fim de fevereiro e tinham a previsão de ficar no país até o fim deste mês. // G1 Bahia.

Péricles viajou sozinho para o Peru, de férias — Foto: Péricles de Oliveira Júnior / Arquivo Pessoal

Baiano Péricles Júnior está em hostel no Peru, impedido de voltar ao Brasil — Foto: Péricles de Oliveira Júnior / Arquivo Pessoal

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