O conquistense Edmilson Souza Silva, que há três anos mora em Milão, na Itália, tem vivido um verdadeiro cárcere por causa do novo coronavírus. O país teve o maior aumento diário em termos absolutos registrado em qualquer lugar do mundo desde que o vírus surgiu na China no fim do ano passado, saltando de 196 para 827 em mortes entre quarta (11) e quinta-feira (12).

Em conversa com o Correio, Edmilson, 39 anos, contou sua rotina no país europeu e disse que as pessoas estão presas em suas casas por conta do avanço do novo vírus, que fez o governo restringir as saídas de mais de 60 milhões de pessoas apenas ao trabalho, mercados, bancas de jornais, farmácias ou hospitais. Natural de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, Edmilson, trabalha como entregador da Amazon (empresa que vende produtos pela internet) em Milão, no norte do país, e chegou a ter sintomas da doença, mas não confirmou se era mesmo coronavírus, porque o médico que o atendeu não achou necessário fazer um teste. Assista:

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“No sábado passado tive febre alta, inflamação na garganta e dor no corpo. Fiquei o domingo em casa e, na segunda, fui ao hospital da base [o equivalente a um posto de saúde público no Brasil], mas o médico disse que não ia fazer o teste em mim porque os hospitais já estavam lotados e por conta da minha idade. Me passou um antibiótico, tomei e estou me sentindo melhor”, relatou. No consultório médico, ele fez um vídeo que mostra cadeiras onde há o aviso de que não podem ser usadas por conta da distância mínima de 1 metro entre as pessoas, que tem de ser respeitada. O temor é tanto que restaurantes e o aeroporto de Milão também estão fechados.

O baiano contou que as ruas estão cheias de policiais, controlando o vai e vem das pessoas. “Quem é parado tem de se explicar, dizer porque está na rua. Se não tiver motivo plausível, como ir a hospitais, trabalho, farmácia, pode levar multa. Tem de ficar em casa o tempo todo”, declarou. De início, segundo relata, várias pessoas não acreditaram que a doença poderia se espalhar facilmente, mas, depois que o governo passou a proibir a presença de público em grandes eventos, como partidas de futebol, “as pessoas passaram a levar mais a sério o problema e deixaram de frequentar restaurantes chineses”, disse. Na Itália, os casos confirmados de coronavírus já chegam a 12.426, com 827 mortes, de acordo com o divulgado pelo Ministério da Saúde italiano no boletim mais recente. Reconhecendo a emergência crescente, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte disse que o governo destinará 25 bilhões de euros para ajudar a reduzir o impacto na economia já frágil – há uma semana, ele estimou que o país precisaria de apenas 7,5 bilhões de euros. Como uma interdição inicial no norte não conteve a disseminação, na segunda-feira o governo proibiu todas as viagens não essenciais e as aglomerações públicas no país até 3 de abril, suspendeu todos os eventos esportivos e prorrogou o fechamento das escolas. // Correio.