Um relacionamento abusivo, repleto de brigas e ciúmes pode ter terminado em uma grande tragédia. A empresária Ludmila Aragão Campos, 41 anos, foi vista pela última vez na segunda-feira (27), no ferry boat. As informações dos parentes é de que ela e o namorado haviam discutido e partiram da localidade de Aratuba, em Vera Cruz, no carro dela, no sentido Salvador.

O carro destruído pelo fogo foi encontrado terça-feira (28) com um corpo carbonizado em uma fazenda na região de São Sebastião do Passé, na Região Metropolitana de Salvador. A família resolveu procurar a polícia para registrar o desaparecimento na terça. De acordo com informações de parentes, o casal havia brigado e, no dia anterior, o homem foi visto por vizinhos saindo da casa de Ludmila, antes que a residência fosse destruída pelo fogo. Horas depois, a empresária e seu veículo, que estavam na garagem de casa também sumiram do local.

A suspeita deles é que o homem tenha ateado fogo na casa e raptado a mulher para, em seguida, matá-la. A hipótese ganhou força depois que a polícia encontrou na terça-feira (28) o veículo de Ludmila carbonizado numa estrada de terra. Imediatamente os familiares da empresária foram acionados e identificaram no local o Renault Sandeiro de cor cinza, de placa PNZ 5A44, como sendo dela. A identificação foi possível pela numeração do chassi. Nesta quinta-feira (30), a mãe da empresária, Raimunda Campos, foi ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), para realizar exames de DNA e tentar reconhecer o corpo. No entanto, por conta da carbonização, houve dificuldades para que o resultado fosse emitido ainda pela manhã. Raimunda Campos e sua filha haviam tido um último contato na segunda-feira pelo celular, horas antes do desaparecimento dela. Ludmila resolveu ligar para a mãe e avisar que não aguentava mais as mensagens de ciúmes do namorado. Raimunda conta que após o sumiço da filha, recebeu uma ligação da irmã, que a avisou sobre o incêndio na casa dela.

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“Ela ligou para mim e disse: ‘minha mãe, eu vou desativar meu Whatsapp porque Charles está ligando e mandando muita mensagem para mim, não estou aguentando mais. Se quiser falar comigo, me liga’, e não nos falamos mais. Daí, horas depois, minha irmã me ligou avisando que a casa dela estava pegando fogo, e que o carro dela não estava na garagem. Eu fiquei apavorada, entrei em desespero e não sabia o que fazer para encontrar ela. Então, fomos na delegacia e registramos o caso do desaparecimento”, explicou a mãe, que precisou passar a manhã no DPT realizando exames para tentar o reconhecimento da filha. “Foi achado esse corpo, estamos aqui fazendo esses exames para tentar identificá-la e poder dar um enterro digno a ela. Fiz exames de DNA, acredito que demore um pouco para o resultado sair”, completou. Ludmila Aragão é soteropolitana, filha única e empreendedora. Ela havia acabado de iniciar um novo negócio em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, após se formar em gastronomia e decidir abrir um restaurante, há cerca de dois meses. Ela estava se relacionando com o namorado há sete meses, segundo a família, período em que a vida da moça começou a desandar. Ainda segundo a família, namorado foi ouvido pela polícia e liberado em seguida.

Investigações

A 24ª Delegacia (Vera Cruz) investiga o caso e aguarda laudos do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR) para a identificação do corpo carbonizado, encontrado no porta-malas do veículo. Na casa da mulher foi realizada perícia pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) para esclarecer se o incêndio foi criminoso. Os familiares de Ludmila foram ouvidos na 24ª Delegacia e diligências estão sendo realizadas para reunir mais elementos que possam contribuir para o esclarecimento do crime.

Apelo da família

Tio de Ludmila, Antônio Mateus Júnior, fez um apelo contra o aumento nos crimes de feminicídio em Salvador e na Bahia. Ele pediu que alguma medida seja tomada urgentemente para conter esse tipo de crime. “Infelizmente, o corpo encontrado é o da minha sobrinha, sim. A gente encara isso não apenas com um crime a uma pessoa de nossa família, mas sim de uma mulher da Bahia pois o feminicídio hoje é uma epidemia que tem que ser combatida por todos. Precisamos combater de frente esses casos de violência contra a mulher. Será que vai ser preciso isso acontecer com uma filha ou esposa de uma autoridade para que algo seja feito? Precisamos de uma resposta contra esse tipo de crime, urgente”, afirmou Antônio.

Já a prima de Ludmila, Cassia Campos, bastante emocionada, fez um desabafo e lembrou de como a empresária era e do convívio que tinha com os familiares. “Era uma pessoa super feliz, alegre e brincalhona. Ela tinha um sonho de se casar um dia, ter filhos. Até que ela conheceu esse rapaz e acabou nessa tragédia, a vida dela desandou depois dele. A única coisa que queremos agora é justiça, não queremos que coisas como essas continuem acontecendo com outras mulheres. Só Deus e eu sabemos a dor que estou sentindo. Peço a todos que nos ajudem a colocar esse homem atrás das grades. Nós não vamos desistir, queremos ele preso”. // Correio.