Os moradores do Conjunto Habitacional Campo Verde, (Minha Casa, Minha Vida), nas imediações do Bairro Campinhos, zona oeste de Conquista, comemoraram a morte do traficante Jeferson do Santos Pires, 21, que foi atingido por vários disparos nesse domingo, 1º, vindo a falecer nesta segunda.
Jel, como era mais conhecido, dominava a região com a facção Tudo 3, expulsando moradores dos imóveis para revender ilegalmente a terceiros. Temido na área, ao lado dos irmãos e de comparsas, o bandido mantinha sob seu comando uma legião de jovens a serviço do tráfico de drogas.
A disputa entre as facções era intensa e, numa emboscada recente, um dos irmão dele foi morto, restando apenas Lucas Pires, 18, que também foi baleada ontem, mas está fora de perigo.
“Jel” assumiu o tráfico após a prisão do antigo líder, Felipe Pires Rocha, seu próprio irmão. Ele estava em preso em Salvador, juntamente com outros dois comparsas alcançados pela polícia. Na ausência deles, “Jel” continuava invadindo casas para levantar dinheiro e alimentar o tráfico de drogas, além de ampliar território.

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Com a morte de Jel, os moradores estão mais aliviados, mas temem que seja por pouco tempo, já que ainda resta Lucas, sucessor do irmão no comando da venda de drogas nos condomínios na área dos Campinhos.

Em reportagem investigativa, a equipe do Sudoeste Digital se infiltrou no residencial e ouviu apelo de moradores. “Por favor, nos ajude”. O apelo dramático é curto, mas os problemas que levaram as pessoas a faze-lo são grandes e crescem a cada dia.
O grito de socorro parte dos moradores, que são expulsos de casa, têm os móveis e eletrodomésticos roubados e os imóveis invadidos por traficantes. Até animais de estimação são “sequestrados” e o resgate pedido chega até a R$3 mil, no caso de duas cadelas levadas recentemente.

A lei do silêncio impera. O medo de represálias é enorme e quase ninguém se arrisca a falar. A reportagem conseguiu contato apenas com uma pessoa, que rompeu o silêncio, mas sob a condição de anonimato.

Ela é uma das que tiveram a casa invadida pelos traficantes, que depois foi “vendida” a terceiros, apesar de a transação não ser aceita pela Caixa Econômica Federal (CEF), gestor financeiro dos imóveis do Programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Segundo a fonte, tudo começou a partir do momento que a mãe dela adoeceu. “Ela tem vários problemas cardíacos, é hipertensa, tem diabetes e agora está com problemas nos rins. Por conta deses problemas, deixei minha casa e fui pra casa dela para acompanha-la nos exames e procedimento cirúrgico”, relatou.

Uma semana depois, ao retornar para sua casa, a moradora teve uma amarga surpresa. “Retornei pra minha casa, numa terça-feira de manhã, encontrei o portão com o cadeado arrombado e quando entrei na garagem eles tinha arrancado a grade e tirado a porta da sala. Estava a maior bagunça”, continuou.
Ao retornar para comprar um novo cadeado e providenciar reparos nas portas, a moradora foi novamente surpreendida. E numa situação ainda pior: um grupo de traficantes já havia se apossado da casa, alegando que o imóvel estava abandonado e que as duas cadelas que a moradora cria sofriam maus-tratos.
“Um rapaz apelidado de “Jel” mandou recado, dizendo que seu eu tentasse entrar eu sairia no caixão”, disse. Ela teria sido apenas mais uma das inúmeras vítimas dos bandidos que dominam o tráfico de drogas na localidade.
No dia seguinte, ela foi à CEF e disse ter conversado com um dos gerentes. “Ele disse que a Caixa não manda ninguém invadir imóveis fechados e orientou prestar queixa na polícia. Então nesse dia eu fiz o primeiro boletim de ocorrência, mas sem sucesso porque ninguém foi lá. Quando foi no sábado, a casa á havia sido passada para outra pessoa. Fiz outros dois boletins e também não tive resposta”.
Ampliava ali o drama da dona do imóvel, que queria saída dos invasores. “Disseram que compraram a casa por R$10 mil e que nem mesmo a polícia tinha capacidade pra isso e que se eu quisesse as cachorras tinha que pagar R$3 mil. Daí pra cá e só correndo atrás e ninguém toma providências. As autoridades não estão nem aí para o povo, pois lá também mora gente de bem”.
A reportagem apurou que as invasões aos imóveis era comandada por “Jel”, da Facção Tudo 3. Existem ainda membros do Bonde do Neguinho (BDN). Não é difícil encontrar os criminosos em atividade. Eles recrutam até mesmo crianças, que vendem drogas nas esquinas, em plena luz do dia. (Conteúdo Sudoeste Digital)